Lula prometeu acabar com o sigilo de 100 anos, mas lista de passageiros de jato ligado a Vorcaro fica sob sigilo.



A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de 100 anos sobre a lista de passageiros de uma aeronave ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A decisão reacendeu o debate sobre transparência e o acesso a informações públicas, especialmente diante de uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral de 2022.

Na ocasião, Lula prometeu acabar com o dispositivo de sigilo de 100 anos, previsto na Lei de Acesso à Informação (LAI) desde 2011. A mudança, no entanto, não foi implementada.

A restrição foi informada pelo Comando da Aeronáutica em resposta a um pedido de acesso à informação que solicitava dados sobre o plano de voo da aeronave de prefixo PS-FST entre os dias 10 e 20 de novembro de 2025.

Foi nesse período que Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando estava prestes a embarcar em um jato Falcon 7X com destino a Malta, na Europa.

Segundo o Comando da Aeronáutica, a divulgação dos dados poderia comprometer a intimidade e a vida privada dos passageiros. A FAB citou o artigo 31 da Lei de Acesso à Informação como fundamento para manter as informações sob sigilo.

A justificativa também aponta que a divulgação de itinerários e de registros sucessivos de voos poderia permitir a identificação dos usuários da aeronave e o rastreamento de seus deslocamentos.

O caso volta a colocar em discussão os limites entre a proteção da privacidade e a transparência no acesso a informações de interesse público, além da promessa de campanha de Lula sobre o fim do sigilo de 100 anos.

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